15 de mai de 2016

Contemple o Belo! Valorize aquilo que o dinheiro não compra

Por Dr. Augusto Cury
Você pode comprar o convite para uma festa, mas não compra a diversão. Pode comprar muitos brinquedos, mas não compra amigos. Pode comprar roupas e sapatos caros, mas não compra o prazer de se sentir bem.
A sociedade está ansiosa e consumista. O ser humano raramente desfruta por muito tempo seus brinquedos, roupas e objetos. As experiências são rápidas e fugazes. Não é a qualidade do que consomem que produz o prazer, mas a quantidade. Essa é a era do fast-food emocional e intelectual, tudo rápido e pronto. Não equilibra-se os polos da existência, dor e satisfação, sucesso e fracasso, aplausos e vaias. Só se quer o sucesso e a satisfação. Vive-se a superficialidade socioemocional, deixando de valorizar aquilo que realmente torna as pessoas felizes.


A Teoria da Inteligência Multifocal destaca a importância de contemplar e extrair o prazer das pequenas coisas. É importante não deixar que o universo da emoção seja pequeno e nem que caminhe na velocidade das informações. É preciso aprender a extrair muito do pouco. Precisa-se treinar a emoção para mudar o foco de atenção.
Contemplar o belo é fazer das pequenas coisas um espetáculo aos nossos olhos, como dialogar com os amigos, elogiar as pessoas, amar os desafios da vida. É admirar as crianças, ouvir as histórias dos idosos. Somos a única espécie, em meio a milhões na natureza, que pensa, tem consciência de si mesma e escreve sua história.
A dificuldade atual de sentir mais emoções contemplativas reside no senso de urgência em resolver os problemas e, ao mesmo tempo, viver os processos necessários para se conquistar aquilo que é essencial, como relações saudáveis, paz interior, serenidade. O ser humano quer tudo isso, mas não quer o mergulho interior que é necessário para se conquistar essa felicidade. Com isso, trava-se uma verdadeira guerra em nossa relação com o tempo.
Acredita-se ingenuamente que os alunos, ao se sentarem nos bancos de uma escola, do Ensino Fundamental até a Universidade, saturarem sua memória de informações e, por fim, passarem nas provas escolares, estarão preparados para a vida. Esse pensamento é um erro crasso. Até para desenvolver um “amor saudável” estarão despreparados. Entulhar informações na memória os prepara para ser estressados durante a vida, pois informações não elaboradas aceleram pensamentos e expandem a ansiedade. Mentes aceleradas ou agitadas destroem a tranquilidade, o prazer, o encanto pela existência.
Se aprender a contemplar o belo, você será uma pessoa bem-humorada. As pessoas terão prazer em ficar ao seu lado. Contudo, se não desenvolver esta importante função da inteligência, viverá debaixo da ditadura do mau humor e do negativismo. Nem você mesmo se suportará.
Com o aumento da ansiedade, diversas doenças autoimunes, cardíacas, bem como alguns tipos de câncer, são desencadeadas pelos transtornos emocionais, e em especial pelo mau humor. Uma pessoa otimista vive melhor e por mais tempo. Contemple o belo para ser bem-humorado. Ser negativista não resolve os problemas, mas pode abreviar seus dias.
Quanto tempo de sua vida você tem se dedicado a contemplar o belo?Quanto tempo tem gastado observando o entardecer, o brilho das estrelas e as maravilhas que norteiam a existência? Ou está ocupado demais?
Tenha sempre atividades fora da sua agenda, pelo menos uma vez por semana. Valorize aquilo que o dinheiro não compra e não dá ibope. Não viva em função de grandes eventos, aprenda a extrair o prazer dos pequenos estímulos da rotina diária.
 Augusto Cury é psiquiatra e o autor mais lido da década no Brasil, publicado em mais de 70 países. Criador da metodologia do Programa Escola da Inteligência e dos cursos das Escolas Menthes. 

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