15 de jul de 2015

Professora opta por vida simples para ler e viajar

Viver sem precisar gastar muito, ser menos consumista e aproveitar o que sobra para ler e viajar. Esse é um pouco do estilo de vida da escritora e professora Carmem Lúcia Ebúrneo da Silva, de 54 anos, membro da Academia Botucatuense de Letras (ABL). Mesmo aposentada, ela trabalha dando aulas e vive uma vida simples para conseguir viajar no Brasil e no exterior, tudo graças a uma vida sem excessos de consumo.


Seguindo uma dica da Revista Vida Simples, ela fez a experiência de “100 dias de felicidade” que se encerrou no dia 13 de julho. “Coincidentemente os dias foram recebidos com felicidade. Muita economia” conta. “Eu nem havia imaginado que a simplicidade associada à economia que me proporciona viajar”, cita.
Um pouco do seu estilo de vida tem a ver com a reportagem que aborda a Felicidade Interna Bruta de Butão, um país de qualidade superior. A ciência da felicidade – que atitudes nos fazem bem – Methodus.
Amo provar roupas e minha amiga Carina Vasques sempre me chama para desfilar... Coisas que acontecem com garotas propaganda se transformam em senhora propaganda
Amo provar roupas e minha amiga Carina Vasques sempre me chama para desfilar… Coisas que acontecem com garotas propaganda se transformam em senhora propaganda
Ela cita uma parte da filosofia que passou a pesquisar: “Somos hoje, em geral, mais ricos e saudáveis do que eram nossos pais e avós – mas nem por isso estamos mais satisfeitos; vivemos em busca de mais dinheiro, prazer, reconhecimento”.
“Não tenho carro, não tenho TV atualizada, nem assisto a TV. Compro livros usados, roupas usadas, cuido de minha casa: lavo, passo, cozinho. Vou ao salão de Beleza Belle Femme uma vez ao mês para tingir cabelos, que são brancos, e não desperdiço nada. Aprendi com uma amiga: “Se você quiser viajar não pode ter todas as cores de batom, nem roupas de marca e nem usar cartão de crédito. Vá ao supermercado com lista do que precisa comprar e dinheiro para pagar a conta”!, diz a educadora.
Solteira, ela tem dois filhos independentes de 23 e 25 anos, que trabalham e estudam. Um é formado em administração e o outro é músico concertista (e consertista), pois faz concertos e musicais tocando piano e conserta piano que tem defeito, com s.
Sua aposentadoria chegou agora (01-07-2015), depois de trabalhar a média de 33 anos em escola pública, mas dá aulas particulares, prepara alunos para vestibulares, exames de mestrado, doutorado e leciona inglês nas Escolas Fisk e Informal, faz, também, revisão de teses e livros. Está aprendendo violino, computação e lendo a Bíblia.
Mesmo levando uma vida sem grande consumismo ela diz que é possível ser feliz. “Sou muito realizada como mãe, profissional, pessoa humana e já vivi grandes amores. No momento estou desamando; depois da cura encontrarei nova oportunidade”.
 Assim outro pretinho básico na Carmem Lúcia de Bofete, que hoje ama a terra adotiva: Botucatu
Assim outro pretinho básico na Carmem Lúcia de Bofete, que hoje ama a terra adotiva: Botucatu
A educadora é muito conhecida em Botucatu por circular entre escritores e estudantes, e entre outras coisas destaca o alto astral da professora que, apesar de ser adepta de uma moda e vida  econômica simples, tem outro aspecto que pareceria contraditório à economia: sempre está bem vestida.
Moda – Chamou a atenção nesta semana quando a professora mostrou na sua página da rede social como recicla as peças do seu guarda-roupa, ao pegar modelos antigos e ir misturando com outras peças construindo vários looks. A divulgação foi uma porta para entendermos a vida da mulher que optou por uma vida  simples para aproveitar  cada momento com o que mais ama: viajar na literatura, conhecer pessoa e lugares novos.
“Sempre investi em passeios: “Ir a lugares diferentes é aproveitar o que tenho merecido como presente de Deus. Quando pequena, raramente viajava, pois não existia Dramim – antienjoo – mas vir de Bofete a Botucatu, era, como dizíamos: “lavar os zóio!” e assim voltar com imagens diferentes para nossa casa. Ir a Anhembi, Bofete, Conchas, Botucatu, Pardinho, São Manuel, região toda, era viagem em meu conceito”, lembrando da infância.
Mas os livros são os que a levam para distante. “O melhor lugar do mundo, para minhas viagens literárias é meu lar”, cita.
A sua motivação de revirar o guarda-roupas foi depois de emagrecer 15 quilos. “Voltei a usar jeans e as roupas antigas estão entrando”, brinca.
“Tenho, também, uma coleção de perucas e ninguém sabe. Então, muitas vezes, o cabelo está lindo, e dou aulas, vou a eventos com produção secreta”, conta.
Na Câmara, foto de Norka Beatriz... sonhando que ia ser vereadora... rs E o pretinho básico com uma estola, presente da Moça Bonita... Sonho que já passou
Na Câmara, foto de Norka Beatriz… sonhando que ia ser vereadora… rs E o pretinho básico com uma estola, presente da Moça Bonita… Sonho que já passou
Carmem Lúcia Ebúrneo da Silva diz que constrói novos visuais, muitas vezes, com três casacos diferentes, três calças diferentes, e três camisas ou blusinhas. Multiplica produzindo uns 20 looks, mas adora mesmo é vestido. E aí vem o assessório diferente: um colar, um echarpe, um casado, um chapéu, uma jaqueta, um calçado e desta forma mudam o mesmo vestido para mais de 20 produções.
A professora diz que adora colar de pérolas. “Não gosto de nada que seja de outro material no pescoço dos citados colares de pérolas, além de echarpes. Substituo, se não está frio, o colar de pérola diferente. Tenho um 15 modelos.”
Em frente ao Teatro Sérgio Cardoso, em SP, em estreia do musical da Broadway, Avenida Q. Pretinho liso de malha... sempre coringa em minha mala
Em frente ao Teatro Sérgio Cardoso, em SP, em estreia do musical da Broadway, Avenida Q. Pretinho liso de malha… sempre coringa em minha mala
Apesar de se preocupar com as construções de cada look ela diz que suas roupas são muito simples. E busca a economia em casa para aproveitar as peças e gastar menos. “Isso é devido à predileção por preto e azul marinho. Como sou eu que lavo minhas roupas, elas são eternas. Parecem novas, mas são clássicas; vou a todo lugar”, conta.
Vanuza Silva Cardoso, que é quem ajuda a construir o visual da amiga, diz que começaram brincando com as peças. “Saio muito, então gosto de estar bem vestida em diferentes ocasiões. A Carmem tem muitas roupas, embora a maioria não seja da atualidade”, cita.
CÔNSUL DA ITÁLIA
“Uma ocasião em que veio o Cônsul da Itália no Centro Brasil-Itália, eu estava com uma de minhas produções simples, mas clássica… e uma senhora foi até o banheiro, enquanto eu aguardava na fila e me disse: Você não está adequadamente vestida! Deveria usar renda ou brilho em noite de gala, como esta.
“Ao que respondi: “Desculpe, mas sempre a vejo com roupas inadequadas e nunca teria a coragem de lhe dizer, se não me proporcionasse a oportunidade. Hoje, por exemplo, seu vestido de malha grudado ao corpo, mostra que está sem calcinha e nem sutiã e este decote, quase mostra o umbigo, além de uma flor nos cabelos… que eu, em particular, achei até engraçada… e assim vai”, relata.
O mesmo vestidinho básico que usei no Teatro Sérgio Cardoso, com a Jaqueta chic que ganhei da Mara Bonfitto em aniversário... Novo Look
O mesmo vestidinho básico que usei no Teatro Sérgio Cardoso, com a Jaqueta chic que ganhei da Mara Bonfitto em aniversário… Novo Look
ALTERNANDO A ROUPA
“Para dar aulas sempre usei guarda-pó sobre a roupa. Na Academia de Letras roupa discreta, no máximo pelo joelho e com mangas, em casa… adoro roupa desgastada… daquelas que lavo após o banho, tiro do varal no dia seguinte e uso em casa de novo. Na Academia Sueli uso roupa de academia, no Chiri roupa de natação, (risos)”.
“Na praia… maiô… Meus filhos me chamam de pinguim… adoro o mar, apesar de não fazer questão das marcas. Fico o dia observando as ondas, escrevendo, lendo… e o mesmo maiô e canga duram a temporada. Minhas malas são sempre pequenas em viagem: 20 kg entre tudo que levo. Roupas duram o mês e, se necessário, até mais tempo, pois lavo as roupas na pia do hotel. Reutilizo muito e adoro brechó!”.
Na Inglaterra, em 2019, em frente à Stonerhange... Jeans, blusa de lá, casaco, echarpe
Na Inglaterra, em 2019, em frente à Stonerhange… Jeans, blusa de lá, casaco, echarpe
SAIR ÀS COMPRAS
“Tenho roupas da Moda Modinha, Moça Bonita, DiCari, Castelinho, mas do Brechó da Dona Maria, também. E ganho roupas de amigas ricas que sabem que não me importo em usar roupas delas. Para sair, deixo sempre várias opções devido à temperatura de Botucatu, mas casaco sempre levo nos braços”.
REVIVER A MODA
“O Start para mexer nas roupas antigas foi ter emagrecido 15 quilos e elas voltarem a servir. É uma delícia lembrar que aquelas roupas existiam. E tenho a amiga Vanuza, que citei no Face, que vem em casa e ficamos brincando de combinar looks e ela é muito boa nisto. Ela tem formação no ensino médio e é funcionária de uma comadre minha, mas ela se produz como se tivesse sempre um guarda-roupas cheio e é a forma dela usar. Tem a metade de minha idade e sabe ser coerente com o que combina comigo”, conta.

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