
Um dos pontos discutidos por Novaes no encontro foi a problemática em torno da água quando o assunto é poluição. "70% das internações de crianças na rede de saúde pública são por doenças veiculadas pela água e 80% das consultas de crianças pediatras na rede pública são também são por doenças veiculadas pela água, como diarréia e infecções intestinais", informa.
A principal causadora desse problema hoje, afirma ele é a poluição. "Temos uma porção de fatores influindo na qualidade da água. Talvez o maior poluidor é a falta de tratamento de esgotos. No Brasil, metade da população sequer tem rede de coleta do esgoto. E dos esgotos que são coletados 80% são devolvidos aos rios e aos córregos sem nenhum tratamento. O que é tratado, só se retira metade da carga orgânica e a outra metade vai para os rios. É uma quantidade brutal se considerado que cada pessoa produz em média 200 litros de esgoto por dia", cita.

Pagar pelo lixo - O ônus para a poluição, como do lixo, segundo ele deve ser de quem o produz. "O custo da coleta tem que ser de quem gera, seja domiciliar ou industrial. No mundo inteiro já existe isso. Na Alemanha é assim. Conforme o tamanho do contêiner que a pessoa usa vai pagar proporcionalmente uma taxa. Esse sistema é sustentado por produtores de lixo seco. O gerador paga proporcionalmente à sua produção, com isso, os produtores de embalagens passaram a produzir embalagens menores e rótulos mais leves para que as taxas pagas por deles serem menores. Com isso, o lixo seco na Alemanha, em oito anos, diminuiu 15%, o que não é pouco", afirma.
Aqüífero – Esse reservatório de água que é Aqüífero Guarani, segundo Novaes, enfrenta uma situação preocupante. "Acho que Brasil não cuida bem do aqüífero. Tem vários lugares que a retirada de água já é maior que a reposição e pode comprometer o Aqüífero. Em alguns lugares há poluição, principalmente a química, na região Ribeirão Preto, Prudente e São Paulo", informa.

Água exportada - O jornalista também comentou sobre o que estudiosos chamam de exportação virtual. "O mais complicado de tudo é a exportação virtual de água que está embutida nas exportações de comodites que o Brasil faz. Estudos do Fórum Mundial da Água diz que para você produzir um "quilo de boi" é preciso 15 mil litros de água, para o porco são 8 mil litros e frango 4 mil litros. Quando se exporta um quilo de carne de frango você também envia 15 mil litros de água", disse.
Segundo ele, o Brasil exporta produtos baratos e fica com os custos sociais e ambientais. "São os importadores que definem os preços. Tem produto que se a gente fizer a correção pelo valor real vai perceber que o Brasil exporta a preços inferiores aos que vigoravam na recessão de 1930. Assim, o Brasil está contribuindo para a riqueza e o bem-estar do primeiro mundo. Eles não precisam sacrificar o seu meio ambiente e colocam o preço que querem nos produtos", critica.
Fotos: Cléber Novelli