16 de out de 2016

Câmara vota recursos para previdência de servidores, criação do Dia do Autismo e denominação de rua com nome de arcebispo

Nesta segunda-feira (17) a Câmara Municipal de Botucatu votará projetos de lei de adequação de orçamento e criação de Dia do Autismo. O primeiro projeto que será votado na sessão que começa às 19h, a autoria da matéria em questão é do prefeito João Cury Neto que abre adicional até o limite de R$ 4,9 milhões para readequação do Botuprev – Fundo Municipal da Previdência Social.

O segundo projeto é do vereador Fontão criando o “Dia de Conscientização Autismo” através do projeto de lei número 94/2016. Também Fontão apresentou o projeto que denomina de “Alameda Dom Vicente Angelo José Marchetti Zioni (Dom Zioni) a Rua Projetada que fica no centro a cidade, com início na Rua Dr. Costa Leite e término na Dr. Damião Pinheiro Machado. (Veja abaixo a história marcante do arcebispo).

PREVIDÊNCIA
Segundo o prefeito, “o Projeto de Lei Complementar que tem como objetivo obter autorização legislativa para alteração nos Anexos V e VI da Lei Complementar nº 1.163/15, de 15 de setembro de 2015, que trata das Diretrizes Orçamentárias para o exercício de 2016. A proposta tem como finalidade a readequação de recursos orçamentários do Fundo Municipal de Previdência Social de Botucatu, para pagamento dos salários de aposentados e pensionistas até o final do exercício de 2016”.

AUTISMO
De acordo com o vereador Fontão, “o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, ou simplesmente Dia Mundial do Autismo, é comemorado dia 2 de abril. A data serve para ajudar a conscientizar a população sobre o Autismo, um transtorno no desenvolvimento do cérebro que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo”.

Ele ainda lembra que “O Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 18 de dezembro de 2007, com o intuito de alertar as sociedades e governantes sobre esta doença, ajudando a derrubar preconceitos e esclarecer a todos. No Brasil, o Dia Mundial do Autismo é celebrado com palestras e eventos públicos que acontecem por várias cidades brasileiras. O objetivo é o mesmo em todo o lugar, ajudar a conscientizar e informar as pessoas sobre o que é o Autismo e como lidar com a doença. Nesta data, vários pontos turísticos do país são iluminados de azul, cor que simboliza o Autismo”.

O parlamentar ainda ressalta que o “Autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, conhecido por "Transtornos de Espectro Autista" – TEA”. E que “os sintomas do autismo são: fobias, agressividade, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de relacionamento, por exemplo. No entanto, vale ressaltar que o autismo é único para cada pessoa. Existem vários níveis diferentes de autismo, até mesmo pessoas que apresentam o transtorno, mas sem nenhum tipo de atraso mental”, finaliza.

DOM ZIONI
Fontão também explica sobre Dom Zioni, que nasceu aos 14 de dezembro de 1911, em São Paulo, capital. Seu nome completo: Vicente Angelo José Marchetti Zioni. Filho de pais italianos, Sr. José Atílio Toréli. Leonardi Zioni (da Bolonha) e Sra. Luiza Ghilarducci Marchetti Zioni (de Luca), viveu toda sua infância no Bairro do Ipiranga, bem próximo ao Museu Histórico do Ipiranga, na época ainda cheio de lampiões de gás que iluminavam ao redor do Monumento do Ipiranga.

Realizou seus estudos no Cambuci, em uma pequena escola particular denominada Ginásio “Nossa Senhora do Carmo”, que era administrada pelos irmãos Maristas. Ali, aos sete anos começou a falar português, pois em sua casa a língua oficial era o italiano. Recebeu o diploma de Congregado Mariano no dia 08 de dezembro de 1924, na Igreja de São Gonçalo, a mesma Igreja onde todas as manhãs sua mãe o levava cedinho para participar da missa.

Em fevereiro de 1925 entrou para o Seminário Menor Metropolitano de Pirapora do Bom Jesus. O próprio Dom Zioni relatou que seu pai o acompanhou até a estação da Sorocabana e que, quando entrou no trem, o segurou um pouco pelo braço e disse: “Meu filho, você vai contente?” ‘Vou’. “Então Deus te abençoe!”. Ele sempre afirmou que a origem de sua vocação sacerdotal estava no fato de sua mãe tê-lo levado todos os dias à missa.

Ficou no Seminário de Pirapora até 1929, onde terminou o curso no Seminário Menor. Em 1930 foi para o Seminário da Freguesia do Ó, que era o Seminário Provincial de São Paulo, onde cursou três anos de Filosofia, concluindo o curso no final de 1932. Em 12 de março de 1933, na Igreja de Santa Ifigênia, a Catedral provisória da Arquidiocese de São Paulo, recebeu das mãos do então arcebispo metropolitano, Dom Duarte Leopoldo e Silva, as ordens menores de hostiário e leitor. Depois, em 10 de novembro de 1933, seus superiores o enviaram para Roma para estudar Teologia e, posteriormente, Direito Canônico, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Em 28 de outubro de 1934, Dom José Pallica, Arcebispo de Philippos e vice-gerente de Roma, lhe conferiu as ordens menores de exorcista e acólito, na Capela do Colégio Inglês. O mesmo prelado, um ano depois, lhe conferiu a ordem maior do subdiácono, na Capela do Colégio Pio Latino americano e, a 21 de dezembro de 1935, a ordem do Diaconato, na Capela do Seminário Maior de Roma.

ORDENAÇÃO
Em um sábado de aleluia, 11 de abril de 1936, ele recebeu a ordenação sacerdotal na Basílica Papal de São João do Latrão, em Roma. Eram mais de quatrocentos ordenados, dos quais 25 sacerdotes. A ordenação aconteceu pela imposição das mãos do cardeal Dom Francesco Marchetti Selvaggiani, vigário geral do Papa Pio XI, e seu parente distante pelo lado da mãe. Depois de bacharelar-se em Direito Canônico, voltou para São Paulo, onde chegou no dia 23 de setembro de 1938, assumindo de imediato as funções de professor no Seminário da Imaculada Conceição, cuja reitoria estava confiada ao Padre Manoel da Silveira D’Elboux, futuro arcebispo de Curitiba.

Foi a partir de 1939 que o Padre Zioni começou sua intensiva dedicação ao ensino e à formação dos futuros sacerdotes. No Seminário lecionou disciplinas científicas, filosóficas e teológicas. Em 12 de março de 1939 recebeu o diploma de Sócio das Obras das Vocações Sacerdotais da Arquidiocese de São Paulo. De 1940 a 1945 dirigiu o Serviço de Orientação Doutrinária e Moral de Leituras, ligado ao Secretariado Nacional de Defesa da Fé.

Em 26 de janeiro de 1940, Dom Gaspar de Afonseca e Silva o nomeou para o cargo de segundo cerimoniário do sólio arquiepiscopal de São Paulo. A primeira visita que Dom Zioni fez a cidade de Botucatu foi em 1941 quando, a convite do então bispo diocesano, Dom Frei Luiz Maria de Santana, ministrou três conferências para jovens e pais.

Em 04 de janeiro de 1947 foi nomeado cônego catedrático do cabido metropolitano de São Paulo, acumulando naquele ano os cargos de reitor do Seminário e de diretor administrativo da Faculdade Teológica. Em 1948 recebeu o título de Monsenhor Camareiro Secreto de S.S. o papa Pio XII.

O fato de sempre ter sido um educador eficiente fê-lo fundar, em 07 de março de 1950, a Faculdade Eclesiástica de Teologia Nossa Senhora da Assunção, agregada à Pontifícia Universidade Católica, da qual foi administrador. Nessa época, o Monsenhor Zioni já era, de certa forma, temido por sua rigorosa e disciplinarmente inflexível atuação na reitoria do Seminário Central do Ipiranga, onde estudavam todos os seminaristas maiores do Estado de São Paulo. Foi professor, reitor, defensor do vínculo no Tribunal Eclesiástico Arquidiocesano de São Paulo, visitador canônico das religiosas, assistente espiritual de diversas instituições religiosas e articulista de vários jornais e revistas, publicando inclusive o livro “O Problema Espírita no Brasil”, obra de muita polêmica entre os kardecistas. Era o nome certo para o episcopado, quando teve um problema de visão (deslocamento da retina do olho esquerdo) que quase comprometeu sua nomeação, já solicitada e desejada pelo cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. Mesmo não enxergando com o olho esquerdo sua nomeação episcopal acabou acontecendo.

O EPISCOPADO
Monsenhor Vicente Marchetti Zioni foi nomeado bispo titular de Lauzado (antiga cidade da Ásia menor) e auxiliar do cardeal arcebispo de São Paulo em 20 de abril de 1955, pelo papa Pio XII, com apenas 43 anos de idade. Foi sagrado bispo no dia 29 de junho do mesmo ano, na Catedral da Sé, em São Paulo, pelo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Armando Lombardi. Escolheu como lema em seu brasão episcopal a frase latina: “Caritas fraternitatis maneat” (Que a caridade fraterna permaneça). O cardeal Motta logo o fez seu Vigário Geral. Durante os nove anos como bispo auxiliar de São Paulo assumiu diferentes tarefas, tais como: diretor arquidiocesano do Apostolado da Oração (designação recebida do Superior Geral da Companhia de Jesus), titular da Secretaria Nacional das Vocações Sacerdotais (organismo ligado à CNBB), fundador do primeiro instituto brasileiro de vocações adultas (denominado Seminário Vestibular Santo Cura D’Ars), diretor do jornal “O São Paulo”, e responsável pela instalação da primeira paróquia pessoal de São Paulo (destinada à colônia italiana). Participou, em Bogotá, do primeiro encontro de diretores nacionais da Obra das Vocações Sacerdotais na América Latina (1962) e foi eleito pelos padres conciliares para participar da primeira Sessão do Concílio Vaticano II, onde seriam debatidos assuntos ligados à educação e à formação sacerdotal, mas não pôde tomar parte do mesmo uma vez que o cardeal Motta o designara para ficar à frente do arcebispado enquanto participava do Concílio.

Em 1962, Dom Zioni ofereceu seu próprio carro, um Chevrolet, e acompanhou o então arcebispo de Milão, Cardeal Giovanni Montini, para que o mesmo conhecesse a cidade de São Paulo. Durante seis horas percorreram a maior cidade da América do Sul, mantendo cordial diálogo. No ano seguinte, Cardeal Montini foi eleito papa, com o nome de Paulo VI.
Em fevereiro de 1964, o Papa Paulo VI, pela bula “Christi Gregis”, criou a nova Diocese de Bauru, tendo seu território quase na totalidade desmembrado da Arquidiocese de Botucatu. Em 25 de março do mesmo ano, Dom Zioni foi nomeado primeiro Bispo Diocesano da recém-criada Diocese de Bauru, a quem caberia estruturá-la administrativa e pastoralmente. Nesse mesmo ano participou, em Roma, a convite do Papa Paulo VI, da terceira Sessão do Concílio Vaticano II e, no final do Concílio, foi nomeado pelo papa membro da Comissão Pós-Conciliar para a Educação Cristã.

Em Bauru, iniciou a construção da nova Catedral do Divino Espírito Santo, inaugurada em 1965. Em 19 de março de 1965 inaugurou também o Seminário de vocações adultas “Nossa Senhora da Assunção e São José”, do qual era um dos professores. No mesmo ano, criou a primeira paróquia Hospitalar do Brasil, que recebeu o título de Nossa Senhora das Lágrimas e São Camilo de Lélis. Consultado pelo Papa Paulo VI, Dom Zioni viajou a Roma em 1967 para debater com um pequeno grupo de bispos de diversos países a proposta da instituição do diaconato permanente. Naquela mesma ocasião, representou o Cardeal Motta, então Arcebispo de Aparecida, na cerimônia da Benção da Rosa de Ouro que o Papa Paulo VI ofereceu para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

POLÊMICA
Em 19 de abril de 1968, com a renúncia do então Arcebispo, Dom Frei Henrique Golland Trindade, Dom Zioni foi nomeado para reger os destinos da Arquidiocese de Botucatu, notícia que desagradou grande parcela do clero, descontente com o processo de nomeação e com a linha de pastoral do novo arcebispo, considerado um tanto conservador, centralizador, autoritário e não aberto ao diálogo. A crise se arrastou por quase um ano. Uma vez que Dom Zioni se mostrou firme na decisão de acatar a decisão do Santo Padre e assumir a Arquidiocese de Botucatu, 27 padres decidiram deixar a Arquidiocese, após confirmação, por parte da Santa Sé, de que Dom Zioni tomaria posse. Eles alegaram que, segundo o Concílio Vaticano II, o bispo deveria ser um fator de unidade para o clero e que Dom Zioni não seria este fator. A posse se concretizou no dia 12 de abril de 1969. Em 1986, ao completar os 75 anos (idade estipulada pelo Código Canônico) ele pediu sua renúncia, mas ficou à frente da Arquidiocese até 1989, sendo sucedido por Dom Antonio Maria Mucciolo. Faleceu em 15 de agosto de 2007.

(Do Agência14News com Câmara Municipal).

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