Artigo - por Quico Cuter.Antes de tudo, devo dizer que não estou defendendo o corte de eucaliptos na Praça Isaltino Pereira, no Jardim Paraíso. Muito pelo contrário. Tenho motivos de sobra para ficar entristecido com a falta daquelas árvores. Quantas vezes passei por ali para chegar até a casa de minha filha. Acontece que muita gente está usando o episódio para fazer política. Ou melhor, politicagem. E, barata.
Os moradores têm mesmo todo direito de reclamar com a administração pública, já que entenderam que aquelas árvores eram um patrimônio e faziam parte do visual daquela localidade. Ou seja, eram dos moradores. E usadas por eles. Por conseguinte, a reclamação é legítima.
A maneira como aquelas árvores foram cortadas, não deixou de ser um erro de estratégia, embora as toras (de acordo com explicações da administração pública) fossem usadas para reparar pontes em estradas rurais do município que cederam em razão das fortes chuvas. Entretanto, se tivesse sido feita uma reunião com os moradores, o episódio, certamente, não chegaria à proporção que chegou. O próprio prefeito João Cury, se penitenciou por isso e entendeu a insatisfação dos moradores.
O agravante é que nada irá trazer aquelas árvores de volta. Absolutamente nada! Por isso, o ideal agora é que os moradores pensem no futuro e busquem, junto ao Poder Público, uma alternativa para suprir a falta daqueles eucaliptos. E, se não existe fórmula de trazer os eucaliptos de volta, o certo é procurar uma outra maneira, para, pelo menos, atenuar o impacto que a retirada das árvores causou. Mas, isso tem que ser feito com o pé no chão e com a cabeça no lugar. Senão, é como chover no molhado.
Os moradores também têm que se acautelarem com os oportunistas de plantão, que estão fazendo desse episódio uma hecatombe política. Tem gente que renasceu das cinzas. Tinham pouco pra falar e encontraram uma brecha para voltar a fazer parte da mídia. Estão, na verdade, comemorando o corte das árvores, dando socos no ar como se fizessem um gol. Não é por aí.
O corte das árvores, realmente, causou comoção nos moradores. Mas são eles, e somente eles, que devem se reunir, discutir e entregar ao Poder Público suas reivindicações. É, humanamente, impossível trazer de volta os mesmos eucaliptos que foram cortados. Mas é, plenamente, possível encontrar uma solução remediadora.
Não se pode aceitar que determinadas pessoas que sequer conheciam o Jardim Paraíso, se intitulem agora, como os paladinos do Meio Ambiente. São pessoas que não sabem diferenciar o eucalipto de uma amoreira. E, estão fazendo de tudo para que esse assunto se prolongue pelo maior tempo possível. Não querem ver a situação contornada. Vou mais longe: querem mesmo é ver o circo pegar fogo. Ainda usam aquela maneira antiquada e pequena de fazer política.
Por isso, os moradores do Jardim Paraíso que se utilizavam daquele espaço, da sombra que as árvores fornecia e se sentiram lesados, têm toda razão de reclamar, manifestar e reivindicar. Porém, aos que estão se aproveitando dessa situação para fazer politicagem, o repúdio, pois estão brincando com o sentimento dos moradores daquele bairro, colocando mais lenha na fogueira.
Quico Cuter - Jornalista e cidadão botucatuense. (Foto: Marcelino Dias/ site Prefeitura de Botucatu).
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