25 de jun. de 2008

Pesquisa traz visão dos alunos sobre Ensino Médio

A pesquisa “Que Ensino Médio Queremos?”, divulgada hoje no debate “Balanço e Perspectivas do Ensino Médio no Brasil”, promovido pela ong Ação Educativa, foi coordenada por Ana Paula Corti, do Projeto Jovens Agentes pelo Direito à Educação e ouviu 880 alunos do Ensino Médio. Com o objetivo de compreender qual a visão dos jovens sobre esta etapa de estudo, a pesquisa revela a preocupação dos estudantes com o ingresso no mercado de trabalho e na universidade.

O estudo foi realizado em duas etapas. Na primeira, foi feita uma pesquisa de opinião, com o apoio do Ibope, que ouviu 800 estudantes do Ensino Médio de cinco escolas da zona leste da cidade de São Paulo, com o objetivo de traçar o perfil desses jovens e suas visões e opiniões sobre a escola.

Na segunda etapa, foram feitos oito grupos de diálogos, formado por alunos, professores, direção escolar, coordenação pedagógica e funcionários, com o intuito de debater qual seria o Ensino Médio almejado pelos participantes. Os articuladores dos diálogos, 20 jovens ligados às escolas e às comunidades, foram capacitados a partir de um programa experimental de formação realizado pela Ação Educativa.

Segundo dados da pesquisa quantitativa, entre os estudantes entrevistados, 21% começaram a trabalhar antes dos 15 anos, 25% após os 15 anos e 55% nunca trabalharam. A expectativa com relação ao Ensino Médio para 46% dos alunos é a preparação para o mercado de trabalho e 25% para o vestibular. Após a conclusão desta etapa do ensino, 28% dos jovens têm como prioridade melhorar a situação no mercado de trabalho, 26% entrar em uma faculdade pública, 15% fazer cursos profissionalizantes e 13% fazer cursinho pré-vestibular.

De acordo com os dados, para 54% dos jovens o maior fator de estímulo no Ensino Médio é adquirir novos conhecimentos, para 16% tirar boas notas e para 12% preparar-se para uma entrevista de trabalho. Para melhorar o aprendizado, 32% dos estudantes acreditam que laboratórios de física, química e biologia são fatores que impactam na qualidade do ensino, 19% apontam a necessidade de aulas mais dinâmicas e 12% aulas mais relevantes sobre temas de seu interesse.

Dados

Na questão sobre reprovação, 11% afirmaram já ter sido reprovado em uma ou mais séries do Ensino Fundamental, 13% em uma ou mais séries do Ensino Médio, 3% disseram terem sido reprovados em ambas as etapas de ensino e 73% nunca foram retidos. Para 23% dos alunos a causa da reprovação é a falta de vontade de estudar, 22% alegaram dificuldades com as matérias, 18% apontaram dificuldades em conciliar o trabalho com os estudos.

A pesquisa também ouviu a opinião dos estudantes sobre a infra-estrutura da escola. A maioria dos alunos considerou como regular os itens: limpeza e organização, a estrutura física, equipamentos, biblioteca e quadras. Na avaliação ruim ou péssima, a maioria dos jovens apontou como problemáticos os itens: laboratórios, salas de informática e banheiros.

Seu objetivo na escola

Na pesquisa, qualitativa, os alunos opinaram sobre três caminhos propostos para o Ensino Médio: um ensino voltado para o mercado de trabalho, com ênfase no Ensino Superior e por último com uma formação para a vida e para a cidadania. O resultado, que difere da pesquisa quantitativa, revela que, para os jovens, em primeiro lugar está a formação voltada para o acesso à universidade, seguida da formação para o trabalho e por último à cidadania.

Período importante

Para Ana Paula Corti, não há contradição entre os resultados das duas pesquisas, pois o método quantitativo não permite interpretações variáveis como o qualitativo. É preciso levar em consideração que um aluno pode considerar tanto que o Ensino Médio é importante na formação para o mercado de trabalho, quanto para a universidade.

Ao final da pesquisa, a Ação Educativa organizou um grupo técnico que analisou os resultados dos diálogos e realizou algumas propostas para o Ensino Médio no País. Dentre as sugestões estão: mudanças curriculares, maior interação com as universidades. O material será entregue ao representante do departamento de políticas do Ensino Médio do MEC, Carlos Artex, e posteriormente à secretaria de Educação de São Paulo.