7 de mai. de 2008

Cadeia Pública já abriga 224 detentos

A situação da cadeia de Botucatu está mais complicada do que antes. O local bateu novo recorde ontem com a marca de 224 presos detidos, onde a capacidade é de 32 detentos. Existem celas com 20 ou 25 presos.

O diretor interino da carceragem, o delegado Marcelo Lanhoso de Lima lembra que uma medida pontual que poderia aliviar a situação da cadeia é a inauguração do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Iperó, pois há cerca de 80 presos dessa região na cadeia de Botucatu. “Essa não é a nossa solução, mas melhoraria a cadeia”, comenta.

Ele defende a criação rápida de um CDP em Botucatu. Essa discussão está na esfera política. “A prisão é primeiro para punir e depois para ressocializar. Hoje, a cadeia não tem condições para essa segunda opção. A carceragem é um barril de pólvora. Prova disso foi a última fuga. O problema da cadeia superlotada não é apenas do Bairro Alto, porque, nessa fuga, duas pessoas foram assaltadas. Elas não moravam nessa região. Nessa situação, o preso sairá pior ou igual de quando entrou”.

Familiares também falaram da expectativa da recuperação dos presos e do medo de entrar na carceragem. Luiz Carlos de Souza teve seu enteado preso recentemente por tráfico. “A gente fica apreensivo de entrar na cadeia. Ele morava com a gente. Temos que dar as mãos. Não podemos abandonar”, diz.

O aposentado Paulo Florentino Leite é de Tatuí e veio a Botucatu visitar o filho de 31 anos, detido por tráfico. “Uma escola do bem a cadeia não é. Mas acredito que ele é bem tratado pelos policiais”, afirma ele, dizendo que seu filho é usuário de drogas e sempre trabalhou.

Na cadeia, o Diário teve acesso ontem ao corredor junto ao pátio para mostrar a situação que fica o local nas visitas. Em um pequeno espaço - um pouco maior que uma quadra de futsal - ficam mais de 110 presos e mais 80 a 90 visitantes. Ao lado, o restante dos detentos (110) ficam em suas celas. No total, mais de 300 pessoas estão na cadeia durante essas visitas que acontecem duas vezes por semana (de terça e quinta-feiras).

Os detentos dizem que chegam a revezar para dormir. “Dormimos em três em um colchão. Se um preso está com pneumonia todos estão em risco”, disse um dos detentos que pediu para não ser identificado.

Eles ainda reclamam de poucos dias de banho de sol, falta de medicamentos, falta de higiene, água amarelada, problema na alimentação (moscas e cabelo), falta de material de limpeza, aparecimento de ratos, chuva dentro das celas e demora para atendimento médico quando é necessário levar algum preso para o hospital. “Aqui só entra preso, não existe transferência e pode existir uma epidemia”, disse outro detento.