11 de mar. de 2008

Grupo espancaria adolescente por 5 reais, informa mãe de estudante

Sete alunos iriam receber R$ 5 cada para bater em um adolescente de 14 anos na saída da Escola Estadual Prof. José Pedretti Neto, quinta-feira, no final do período da manhã. A informação é da mãe da vítima, Maria Aparecida Modesto. Essa mesma versão foi confirmada pela direção da escola e na Diretoria Regional de Ensino, na semana passada.

Apenas um adolescente assumiu que receberia o valor para bater no rapaz. Outros seis ainda não foram identificados. "Eles iriam espancar mesmo, por R$ 5. Acho que por R$ 10 matariam alguém", disse a mãe do garoto vítima da agressão.

A mãe do adolescente diz que o diretor chamou o agressor para conversar e que foi informada que a segurança do seu filho não poderia ser garantida. "Ele me disse que não tem olho biônico para ver tudo. Meu filho só não foi espancado porque um dos garotos gritou que a Polícia estava chegando, mas ele foi empurrado e todos fugiram", conta Maria Aparecida.

Após a agressão, o filho dela e mais dois alunos,incluindo uma garota, pararam de ir à escola. Ela e a Diretoria de Ensino confirmaram que o acusado da agressão cumpre Liberdade Assistida. "Eles apenas iriam bater no meu filho porque ele gosta de rock. O rapaz que bateria nele disse - Emo [grupo de jovens que gostam de som Hard Core sentimental e não escondem sentimentos] e veado têm que apanhar mesmo", lembra.

Os garotos haviam tido desavenças apenas no ano passado, mas depois nunca mais conversaram. O adolescente agressor teria dito a colegas que iria agredir pessoas mesmo sem terem feito nada para ele. A mãe diz que não consegue vaga para seu filho que está na 8ª série. Ela mora no Bairro Alto e o único local disponível é a Escola 24 de Maio.

PROVIDÊNCIAS
O dirigente Regional de Ensino, Bahige Fadel, diz que não é possível oferecer vagas na escola EECA (Escola Estadual Cardoso de Almeida) a todos que pretendem estudar no Centro. Ele afirma que a PM presenciou toda a situação e fez Boletim de Ocorrência (BO). "O agressor já recebeu suspensão e seu pai foi chamado na escola. Mais nenhuma providência foi tomada porque o outro aluno [o mandante] desapareceu", comenta.

Fadel lembra que a escola apurou até agora que o adolescente apontado como o que deu a ordem aos demais para bater nos alunos acusou a mãe da vítima de agredi-lo, mas ele teria se auto lesionado com arranhões para incriminá-la. A vítima, segundo Fadel, é um excelente rapaz. Quando o suspeito de organizar toda a violência for à escola também será acionado o Conselho Tutelar.

Caso persista o problema de mau comportamento, explica Fadel, o aluno pode sofrer transferência compulsória que é decidida junto ao Conselho de Escola, com direito amplo à defesa.

O policial Robson Pontes, da Ronda Escolar, afirma que os alunos devem informar aos pais sobre desentendimentos antes da agressão acontecer. "Às vezes, a polícia fica sabendo só depois da agressão acontecer. Na primeira ameaça deve-se levar o caso à direção da escola". (Foto ilustrativa/ reprodução).